Toma, Senhor, que ele é teu

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Coração!
Eis o nosso centro escondido: sensível, necessário, constante, imprescindível!
Pulsa dia e noite, mesmo quando dormimos.
E se parar de bater, a vida deixará de existir!
 
É inatingível pela razão. Contudo, tem razões que a própria razão desconhece.
Sede do melhor e do mais profundo dos sentimentos: o amor!
É a casa onde cada pessoa vive e mora!
É o lugar da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte.
 
Centro da vida, da vontade, das emoções – até dos pensamentos!
Na dúvida, ele é decisivo: o que diz o seu coração?
É verdade: a boca fala do que o coração está cheio!
Quando algo foi feito com empenho e garra, logo dizemos que foi com o coração!
 
É o lugar de encontro.
É nele que o encontro primeiro acontece; quando ele o pressente, logo dispara, bate forte, acelera, quase sai pela boca…
 
Parece inacreditável, mas os mais variados sentimentos, alcançam primeiro o coração: acolhimento, rejeição, alegria, tristeza, companhia, solidão, conquista, fracasso, paz, abandono, alívio, cansaço, esperança, dúvida, morte, vida… Tudo toca primeiro o coração!
 
É no coração que uma pessoa se decide por Deus ou resiste n’Ele acreditar.
Diz o salmista que é fonte de alegria buscar a Deus com ele: alegre-se o coração dos que buscam a Deus (Sl 104). Sim, procurar a Deus com o coração, é também encontrar perene alegria, esperança renovada, verdade infalível, vida sem fim.
 
É justamente para o coração do homem que o Senhor olha: O Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, para as aparências, porém o Senhor olha para o coração (1Sm 16,7).
 
Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração (Mt 11,28).
Este foi o convite que Jesus fez aos cansados e fatigados das labutas de cada dia!
 
Na alegria do vinho novo das Bodas de Caná (Jo 2,1-11), ou no sofrimento aos pés da cruz (Jo 19,25), Maria, em silêncio, com simplicidade, sabedoria e profunda confiança em Deus, guardava e meditava tudo justamente em seu coração (Lc 2,16).
 
Peçamos ao Senhor a graça de um coração manso, simples, paciente, humilde, acolhedor, perseverante, fiel até o fim.
Digamos sempre ao Senhor e ao seu Sagrado Coração: Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!
Peçamos a graça de sempre amar a Deus com todo o coração, também a graça de amar e olhar a tudo e a todos como Deus olha e ama!
“Eis o que eu venho te dar, eis o que ponho no altar,
toma, Senhor, que ele é teu, meu coração não é meu!”
 
Dom Abade Felipe da Silva
Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro (RJ)

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