Sínodo dos Bispos: o que é, quais os objetivos e como será vivenciado nas Igrejas

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O Sínodo dos Bispos é o ponto de convergência deste dinamismo de escuta recíproca no Espírito Santo, conduzido em todos os níveis da vida da Igreja. Não é apenas um evento, mas um processo que envolve em sinergia o Povo de Deus, o Colégio Episcopal e o Bispo de Roma, cada um de acordo com sua própria função.

Ao convocar este Sínodo, o Papa Francisco convida toda a Igreja a refletir sobre um tema que é decisivo para a sua vida e missão: “O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”. No seguimento da renovação da igreja proposta pelo Concílio Vaticano II, este caminho em conjunto é simultaneamente um dom e uma tarefa. Refletindo juntos sobre o caminho feito até agora, os diversos membros da Igreja poderão aprender com as experiências e perspectivas uns dos outros, guiados pelo Espírito Santo. Iluminados pela Palavra de Deus e unidos em oração, seremos capazes de discernir os processos para procurar a vontade de Deus e dar seguimento aos caminhos para os quais Deus nos chama rumo a uma comunhão mais profunda, a uma participação mais plena e uma maior abertura ao cumprimento da nossa missão no mundo. “Sínodo” é uma palavra antiga venerada na Tradição da Igreja, cujo significado recorda os conteúdos mais profundos da Revelação. Indica o caminho que os membros do Povo de Deus percorrem juntos.

A sinodalidade designa, o estilo peculiar que qualifica a vida e a missão da Igreja, exprimindo a sua natureza como Povo de Deus que caminha em conjunto e se reúne em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho. Ela deve exprimir-se no modo ordinário de viver e de agir da Igreja.

A Igreja reconhece que a sinodalidade é parte integrante da sua verdadeira natureza. Ser Igreja sinodal exprime-se nos Concílios ecumênicos, nos Sínodos dos Bispos, nos Sínodos diocesanos e nos conselhos diocesanos e paroquiais. Há muitas maneiras pelas quais já experimentamos formas de “sinodalidade” pela Igreja a fora. O objetivo deste Processo Sinodal não é proporcionar experiência temporária ou única de sinodalidade, mas proporcionar uma oportunidade para todo povo de Deus discernir em conjunto como progredir no caminho para ser uma Igreja mais sinodal a longo prazo.

Se os Sínodos mais recentes examinaram temas como a Nova Evangelização, a Família, os Jovens e a Amazônia, este Sínodo concentra-se no tema da sinodalidade em si mesma. O atual Processo Sinodal que estamos a empreender é orientado por uma questão fundamental: Como é que este “caminhar juntos” tem lugar, hoje, a diferentes níveis, permitindo que a Igreja anuncie o Evangelho? E quais os passos que o Espírito nos convida a dar para crescermos como Igreja sinodal?

Nesta perspectiva, o objetivo do atual Sínodo é escutar, como todo o Povo de Deus, o que o Espírito Santo está a dizer à Igreja. Escutando juntos a Palavra de Deus na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja e, depois, escutando-nos uns aos outros e especialmente aos que estão à margem, discernindo os sinais dos tempos. De fato, todo o Processo Sinodal visa promover uma experiência vivida de discernimento, participação e corresponsabilidade, onde se reúne uma diversidade de dons para a missão da Igreja no mundo.

Neste sentido, é evidente que o objetivo deste Sínodo não é produzir mais documentos. Pelo contrário, destina-se a inspirar as pessoas a sonhar com a Igreja que somos chamados a ser, a fazer florescer as esperanças das pessoas, a estimular a confiança, a vendar as feridas, a tecer relações novas e mais profundas, a aprender uns com os outros, a construir pontes, a iluminar mentes, a aquecer corações e a dar força de novo às nossas mãos para a nossa missão comum que começam e param, mas um caminho de crescimento autêntico rumo à comunhão e a missão que Deus chama a Igreja a viver no terceiro milênio.

Cada bispo, em outubro de 2021, nomeará um responsável diocesano como ponto de referência e conexão com a Conferência episcopal, que acompanhará a consulta na Igreja particular a cada passo. Por sua vez, a Conferência episcopal nomeará um responsável ou uma equipe como ponto de referência junto aos responsáveis diocesanos e à Secretaria Geral do Sínodo. O discernimento diocesano culminará em uma “Reunião pré-sinodal” no final da consulta. As contribuições serão enviadas à sua própria Conferência episcopal, até uma data determinada por esta última.

A abertura oficial do Sínodo será neste ano de 2021, nos dias 9 e 10 de outubro no Vaticano. Em cada diocese o processo inicia-se em 17 de outubro. Na nossa Diocese a celebração acontecerá às 10h na Catedral Diocesana.

Quem pode participar?

O objetivo desta fase diocesana é consultar o Povo de Deus para que o Processo Sinodal seja levado a cabo através da escuta de todos os batizados.

Outra finalidade da primeira fase do caminho sinodal é favorecer um amplo processo de consulta, para recolher a riqueza das experiências de sinodalidade vivida, nas suas diferentes articulações e aspectos, envolvendo os Pastores e os Fiéis das Igrejas particulares em todos os diversificados níveis, através dos meios mais adequados, em conformidade com as realidades locais especificas: a consulta, coordenada pelo Bispo, destina-se “aos Presbíteros, Diáconos e Fiéis leigos das suas Igrejas, individualmente ou associados, sem transcurar a valiosa contribuição que pode vir dos Consagrados e das Consagradas”.

Grande parte da riqueza desta fase de escuta virá de discussões entre paróquias, movimentos laicais, escolas e universidades, congregações religiosas, comunidades cristãs de bairro, ação social, movimentos ecumênicos e inter-religiosos e de outros grupos. Esta fase diocesana é uma oportunidade para as paróquias e dioceses se encontrarem, experimentarem e viverem juntos o caminho sinodal, descobrindo ou desenvolvendo instrumentos e caminhos sinodais mais adequados ao seu contexto local, que acabarão por se tornar o novo estilo das Igrejas locais no caminho da sinodalidade.

Assim, este Sínodo não espera apenas respostas que possam ajudar a Assembleia do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em Roma, em outubro de 2023, mas deseja também promover e desenvolver a prática e a experiência de ser sinodal durante o processo e depois dele progredindo.

O processo diocesano deverá ser enviado para as conferências episcopais respetivas por forma que estas possam formular uma síntese antes de abril de 2022.

De setembro 2022 a março 2023 decorrerá a fase continental do Sínodo. Cada assembleia continental aprovará um documento final. Até junho de 2023 será redigido um segundo instrumento de trabalho para a grande assembleia sinodal dos bispos que decorrerá em Roma em outubro de 2023.

Qual o papel do Bispo no Processo Sinodal?

A sinodalidade não existe sem a autoridade pastoral do Colégio Episcopal, sob o primado do Sucessor de Pedro, e sem a autoridade pastoral de cada Bispo diocesano na diocese confiada aos seus cuidados. O ministério dos Bispos consiste em ser pastores, mestres e sacerdotes do culto sagrado.

O seu carisma de discernimento chama-os a serem autênticos defensores, intérpretes e testemunhas da fé da Igreja. O papel principal do Bispo diocesano neste Processo Sinodal é facilitar a experiência sinodal de todo o Povo de Deus no caminho para uma Igreja mais sinodal. O Bispo diocesano tem um papel fundamental na escuta do Povo de Deus na sua Igreja diocesana. O Bispo sob a inspiração do Espírito Santo, pode discernir os processos mais frutuosos de escuta do Povo de Deus na sua diocese, ao longo do caminho de sinodalidade realizado por toda a Igreja.

Qual o papel dos sacerdotes e diáconos no Processo Sinodal?

O ministério dos Sacerdotes e Diáconos tem dois pontos de referência vitais: por um lado, o Bispo diocesano; por outro lado, o povo confiado aos seus cuidados pastorais. Assim, o clero presente na Igreja local fornece um ponto de ligação útil entre o Bispo e aqueles a quem serve. Isto confere aos sacerdotes e diáconos um papel fundamental no caminhar juntos no meio do Povo de Deus, unidos com o Bispo e ao serviço dos fiéis.

Neste sentido, padres e diáconos têm um papel crucial a desempenhar no acompanhamento de todo o Povo de Deus no caminho da sinodalidade. Os seus esforços para promover e pôr em prática uma forma mais sinodal de ser a Igreja de Cristo são de importância vital. Sacerdotes e diáconos podem sensibilizar sobre a natureza sinodal da Igreja e o significado da sinodalidade nas paróquias, ministérios e movimentos que servem. Os sacerdotes e diáconos são também chamados a apoiar, encorajar, promover e possibilitar o desenrolar da fase diocesana do Processo Sinodal na Igreja local.

A logomarca do Sínodo

Uma grande árvore majestosa, cheia de sabedoria e luz, atinge o céu. Sinal de profunda vitalidade e esperança, exprime a cruz de Cristo. Traz a Eucaristia, que brilha como o sol. Os ramos horizontais se abrem como mãos ou asas e sugerem, ao mesmo tempo, o Espírito Santo. O povo de Deus não é estático: está em movimento, em referência direta à etimologia da palavra sínodo, que significa “caminhar junto”. As pessoas estão unidas pela mesma dinâmica e respiram da Árvore da Vida, a partir da qual iniciam sua jornada. Essas 15 silhuetas resumem toda a nossa humanidade em sua diversidade de situações de vida, gerações e origens. Este aspecto é reforçado pela multiplicidade de cores vivas que são, elas próprias, sinais de alegria. Não há hierarquia entre essas pessoas que estão todas no mesmo nível: jovens, velhos, homens, mulheres, adolescentes, crianças, leigos, religiosos, pais, casais, solteiros, deficientes; o bispo e a freira não estão a frente deles, mas entre eles. Muito naturalmente, as crianças e depois os adolescentes abrem o caminho, referindo-se as palavras de Jesus no Evangelho: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e revelastes aos pequeninos ” (Mt 11,25) A linha de base horizontal: “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” , vai da esquerda para a direita no sentido de uma marcha, sublinhando e reforçando-a, terminando com o título “Sínodo 2021-2023”: o ponto culminante que resume tudo.
Fonte: Diocese de Teixeira de Freitas/Caravelas (BA)

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