Papa institui mulheres como leitoras e acólitas pela primeira vez na história

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O papa Francisco instituirá, pela primeira vez na história, mulheres nos ministérios leigos de leitor, acólito. O Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização informou que a novidade se dará no próximo dia 23 de janeiro, quando a Igreja celebra o Domingo da Palavra de Deus.

A instituição acontecerá durante a missa que o papa celebrará às 9h30 (5h30 no horário de Brasília) na basílica de São Pedro no Vaticano, por ocasião do 3º Domingo da Palavra de Deus, celebração que o papa Francisco instituiu em 2019. Ao mesmo tempo serão instituídos catequistas de acordo com o novo rito promulgado pela Santa Sé.

“Pela primeira vez, o ministério de Leitor e Acólito será conferido também às mulheres e homens leigos”, diz o comunicado publicado hoje pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

“O papa Francisco estabeleceu, publicando em 10 de janeiro a carta apostólica em forma de motu proprio Spiritus Domini e a carta ao prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que os ministérios do Leitorado e do Acolitado sejam abertos aos leigos e leigas, de modo estável e institucionalizado”, continua o texto.

O comunicado destaca que antes “este ministério era reservado apenas para homens porque se considerava propedêutico diante do eventual acesso à ordem sagrada”. Isto é, uma preparação para a formação de sacerdotes.

“Contudo, uma prática consolidada da Igreja confirmou que os ministérios leigos, baseados no sacramento do batismo, podem ser confiados a todos os fiéis que forem idôneos, de sexo feminino ou masculino, segundo o que já está implicitamente previsto no cânon 230 do Código de Direito Canônico, que o papa modificou” em janeiro de 2021, continua o comunicado.

O texto diz que “o Santo Padre também realizará o rito com o qual o ministério de catequista será conferido aos fiéis leigos, mulheres e homens, já instituído através da publicação da carta apostólica em forma motu proprio Antiquum Ministerium, em 10 de dezembro de 2021”.

Em dezembro de 2021, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos explicou que o catequista é “um ministério laico que tem como fundamento a condição comum de ser batizado e o sacerdócio real recebido no sacramento do batismo, e é essencialmente distinto do ministério ordenado recebido no sacramento da ordem”.

Os catequistas, “em virtude do batismo, são chamados a ser corresponsáveis ​​na Igreja local no anúncio e transmissão da fé, desempenhando este papel em colaboração com os ministros ordenados e sob a sua orientação”, disse.

Como será o rito?

Cada um desses ministérios é conferido por meio de um rito, preparado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, também apresentado pela primeira vez. Antes da homilia do papa Francisco, os candidatos serão chamados pelo nome e apresentados à Igreja. Após a homilia, aqueles que irão receber o ministério de leitor receberão a Bíblia, a Palavra de Deus que são chamados a anunciar.

Aos catequistas será entregue uma cruz, uma reprodução da cruz pastoral usada pelo papa são Paulo VI, depois por são João Paulo II, “para destacar o caráter missionário do serviço que vão administrar”.

Os leigos que receberão o ministério de leitor das mãos do papa vêm da Coreia do Sul, Paquistão, Gana e Itália.

Para receber o ministério de catequista estarão dois leigos do Vicariato Apostólico de Yurimaguas, da Amazônia peruana; dois fiéis do Brasil que já desempenham a função de catequista; uma mulher de Kumasi, Gana; e o presidente do Centro Oratórios Romanos, fundado pelo catequista Arnaldo Canepa, que “dedicou mais de 40 anos de sua existência à fundação e direção de Oratórios para meninos, dos quais o primeiro surgiu em 1945”.

Um leigo e uma leiga de Łódź, Polônia, e Madri, Espanha, respectivamente, também receberão o ministério leigo de catequista. Devido a dificuldades de viagem, dois fiéis de Uganda e da República Democrática do Congo não poderão comparecer. Além disso, o papa Francisco entregará aos participantes um volume com comentários dos Padres da Igreja sobre os capítulos 4 e 5 do Evangelho de São Lucas, editado por edições São Paulo.

O Domingo da Palavra de Deus

Em 2019, o papa Francisco instituiu o “Domingo da Palavra de Deus”, que a Igreja Universal celebra todo terceiro domingo do Tempo Comum para “fazer crescer no povo de Deus uma religiosa e assídua familiaridade com as sagradas Escrituras”.

Foi o que disse o papa com a carta apostólica na forma de motu proprio cujo título é Aperuit Illis, publicada em 30 de setembro de 2019 na festa de são Jerônimo, famoso por sua tradução da Bíblia para o latim, conhecida como “Vulgata”.

O título desta carta apostólica é baseado na passagem bíblica de São Lucas no capítulo 24, que descreve o gesto de Jesus Cristo aos discípulos com o qual “abriu-lhes a mente ao entendimento da Sagrada Escritura”.

“A dedicação de um domingo do Ano Litúrgico particularmente à Palavra de Deus permite, antes de mais nada, fazer a Igreja reviver o gesto do Ressuscitado que abre, também para nós, o tesouro da sua Palavra, para podermos ser no mundo arautos desta riqueza inexaurível”, escreveu o papa.

Fonte: ACI Digital

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