Comemoração dos Fieis Defuntos

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Meus irmãos e minhas irmãs

Hoje a televisão, o cinema e os jogos eletrônicos tratam a morte com muita banalidade. Milhares e milhares de mortes são transmitidas pelos canais de televisão. Centenas de mortes são apresentadas nos cinemas de nossas cidades.Milhares de cenas de mortes, mesmo que simbolizadas em figuras e cenários virtuais estão dentro de nossas casas, diante dos olhos de crianças, adolescentes e jovens e também de muitos adultos. A morte como espetáculo ou como jogo não nos impressiona mais, porque se criou uma crença muito grande entre a morte que se vê e a morte e a vida que continua depois do jogo ou do espetáculo. É a cultura d violência e da morte que nos afasta da vida e nos faz perder o respeito pelo mistério da morte, seja por quem morre ou por quem sofre pela morte de alguém. Muitos especialistas em comportamento social perguntam-se se isto é construtivo, principalmente porque o entretenimento com a morte ensina aos nossos jovens que a justiça é feita com ela, e que os fortes assim o são porque matam os mais fracos. É uma realidade muito que mata a força do amor, da justiça, da possibilidade de correção e da solidariedade.

A morte não poderia ser considerada como vitória de uma vingança

O que vemos em nossas televisões, cinemas e jogos eletrônicos é uma espécie de culto macabro da morte. Como cristãos, não queremos e nem podemos aceitar este tipo de mentalidade. A morte é um instrumento importante na vida de todo homem e mulher, momento profundo de encontro consigo mesmo – dizem os estudiosos nesse assunto – que precisa ser considerada com respeito e com muito silêncio por todos nós. A morte não é um espetáculo para incentivar a sede de violência que muitos trazem consigo. Deveria ser um momento de paz concedido a todos os que partem desta vida. A morte não poderia ser considerada como vitória de uma vingança, mas como solidariedade de quem se coloca ao lado do outro como amigo, como irmão e irmã para ajudá-lo a passar desta para outra vida.

Penso em tantos profissionais que lidam diariamente com a morte e faço uma prece hoje por eles, para que não se tornem tão habituados a ver pessoas morrendo que percam a humanidade sublime daquele momento solene para cada vida que se despede deste mundo.

A Igreja celebra este momento com uma Eucaristia

Hoje dedicamos este dia para comemorar todos os falecidos. A palavra “comemorar” não tem aqui o sentido festivo ou de alegria, mas o sentido de trazer de novo a memória, de lembrar aqueles falecidos e falecidas que partiram de nossas convivências. A Igreja celebra este momento com uma Eucaristia, numa ação de graças pela vida de todos os seus filhos e filhas que já partiram desta terra. É uma celebração que intercede de modo especial pelas almas do purgatório, homens e mulheres que ainda precisam ser purificados antes de entrarem na glória de Deus. Rezamos por eles porque as nossas orações, fundamentadas na Liturgia e na doutrina do Corpo Místico de Cristo, colaboram na purificação dessas almas para que possam participar plenamente da glória de Deus. Não se trata de uma “oração mágica” que salva almas, porque estas já form salvas por Cristo. Mas é uma oração que nos faz solidários com elas para que a purificação de suas vidas mereça a comunhão na vida divina no céu.

Este dia serve também para que cada um de nós possa pensar na sua vida que um dia terá o seu fim. Todos temos a certeza da morte. E o melhor modo de encarar este momento é viver bem este momento presente. A vida bem vivida, buscando a Deus e se relacionando com Ele, a vida vivida na alegria, na paz, na serenidade, curtindo os momentos bons com os nossos familiares e amigos é o melhor modo de nos prepararmos para a morte. Viver bem com honestidade, com respeito pela vida dos outros e com o desejo de promover vida, é um modo de se preparar bem para a morte.

É um dia para nos mostrarmos solidários

Hoje o dia se envolve de silêncio e respeito para com os falecidos. Por isso é um dia que favorece uma reflexão sobre o modo como estamos vivendo, que valor damos ao nosso viver, que razão damos par tudo o que fazemos em nossa vida. É um dia também para rezarmos pelos falecidos e para nos lembrar também que a oração é um modo de nos aproximarmos de Deus agora e no momento de nossa morte, como rezamos na Ave Maria. É um dia para nos mostrarmos solidários com aquelas pessoas que perderam seus entes queridos há pouco tempo, consolando-as com a nossa presença e com as nossas orações.

Rezemos hoje pelos nossos falecidos, pelas almas mais abandonadas do purgatório e vivamos este dia refletindo sobre o valor da vida presente, sobre o vlor da vida dos nossos jovens, crianças e idosos.

Fiquemos com Deus e com a proteção da Virgem Maria.

+ José Luiz Ferreira Salles, CSsR
Bispo de Pesqueira-PE

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