Seminário de Olinda é interditado pela Defesa Civil

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A Igreja e Seminário Nossa Senhora da Graça, localizados no ponto mais alto do Sítio Histórico de Olinda, foram interditados pela Defesa Civil da cidade no início da manhã desta quinta-feira, 28. O órgão realizou vistorias neste mês de maio a pedido da Arquidiocese de Olinda e Recife por recomendação do Iphan. Considerando o comprometimento das instalações, os imóveis serão desocupados num prazo máximo de 15 dias. Atenderei a imprensa de forma coletiva às 11h na Cúria Metropolitana (Palácio dos Manguinhos), no bairro das Graças, para fornecer informações sobre o fato. Participarão da entrevista a secretária executiva da Defesa Civil de Olinda, Kátia Marsol, e o superintendente do Iphan-PE, Frederico Faria.

De acordo com Laudo da Defesa Civil, os danos encontrados representam um alto risco, para a estrutura e para as pessoas que residem ou frequentam o local. Na escala de risco definida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), pode se enquadrar no Grau de Risco 4.

Com o objetivo de resguardar vidas, a arquidiocese irá transferir os cerca de 60 seminaristas para o Centro Arquidiocesano de Pastoral Dom Vital no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife. O imóvel já abriga os seminaristas do Propedêutico, ensino preparatório para os cursos de filosofia e teologia.

A edificação faz parte do Polígono de Tombamento de Preservação de Olinda, enquadrado no Setor Residencial Rigoroso (SRR) e remota o século XVI.

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Seminário de Olinda – Igreja de Nossa Senhora da Graça

Localizado no ponto mais alto de Olinda, o conjunto arquitetônico é formado pela Igreja de Nossa Senhora da Graça e pelo Seminário. Foi preservada, até hoje, a modulação clássica do prédio, sendo o maior e melhor testemunho da arquitetura jesuítica do século XVI, no Brasil. Em 1535, Duarte Coelho fundou a ermida de Nossa Senhora da Graça para oferecer aos religiosos de Santo Agostinho. No entanto, nenhum chegou ao Brasil. Em seus lugares, vieram os jesuítas. A capela foi, então, doada ao padre Antônio Pires, que desembarcou em Olinda em 1551. A construção, inspirada na Igreja de São Roque, em Lisboa, é uma importante referência da arquitetura quinhentista. Castigado pelo incêndio da cidade, o colégio foi, posteriormente, reconstruído e reocupado pelos jesuítas. No arco da capela-mor, há uma inscrição com a data de 1661, provavelmente, a época da conclusão dos reparos. Com o banimento dos jesuítas, em 1760, o colégio foi abandonado e, posteriormente, doado à Mitra. Sob os cuidados do bispo dom Azeredo Coutinho, foi transformado em Seminário no princípio do século XIX.

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