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Paróquia Santa Águeda celebra festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens em Pesqueira

Paróquia Santa Águeda celebra festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens em Pesqueira

Como acontece tradicionalmente ao final de cada ano, a paróquia Santa Águeda (Catedral Diocesana de Pesqueira) realiza entre os dias 30 de dezembro e 1 de dezembro, a festa em honra de Nossa Senhora Mãe dos Homens. A igreja a ela dedicada fica anexa à Cúria Diocesana, antigo Palácio Episcopal, no cento da cidade.

O tríduo festivo terá seu início com a Santa Missa no dia 30 de dezembro às 19h, na Catedral. Segue a programação no dia 31 com a Santa Missa na capela Mãe dos Homens às 16h30. O tríduo tem seu encerramento no primeiro dia do ano com a procissão às 18h, saindo da capela Mãe dos Homens até a Catedral, onde acontece a Santa Missa de encerramento.

Capela dedicada à Mãe dos Homens, em Pesqueira, anexa à Cúria Diocesana, antigo Palácio Episcopal.

A devoção a Maria Mãe dos Homens

A devoção mariana difere-se da adoração. Enquanto a adoração constitui o culto tributado exclusivamente a Deus, reconhecendo nele o Criador, o Senhor e o Salvador, a devoção Mariana é a veneração especial que fazemos a Maria, dentro da comunhão dos santos. Esta devoção mariana “difere essencialmente do culto de adoração que se preta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, e o favorece poderosamente” (Concílio Vaticano II. L. G., nº. 156).

A devoção mariana faz parte da vida e espiritualidade da Igreja. Desde os primeiros tempos da história da Igreja, Maria é venerada pelos cristãos com o título  de Mãe de Deus, sob cuja proteção se refugiam. A partir do Concílio de Éfeso (421), o culto do povo a Nossa Senhora cresceu muito em veneração e amor, invocação e imitação. Mãe do Redentor, a Virgem Santíssima “está unida de modo especial com a Igreja, que o Senhor constitui como seu corpo” (João Paulo II. Redemptoris Mater, nº. 66).

Atitude de devotos diante da mãe de Deus

A nossa devoção mariana manifesta-se por atitudes, próprias da piedade da Igreja.

Uma primeira atitude de devotos é nossa veneração pela Mãe de Jesus. Tal veneração é um aspecto importante do culto mariano. Após sua vida de amor a Deus e de serviço aos homens, Maria, que viveu sua santidade na terra, está junto de Deus. Reina com Jesus Cristo e merece a lembrança carinhosa dos cristãos. A “veneração lhe é devida pela sua dignidade e santidade, pelo seu compromisso no seguimento de Cristo, pelo seu serviço prestado na história da salvação durante toda a sua vida” (Salvadore Meo, professor de Teologia e de Mariologia).

Veneramos Nossa Senhora mediante orações e tendo palavras de honra e respeito para com ela em nossos lábios. Procuramos participar ativamente das festas litúrgicas em louvor da Virgem Maria e dedicamos nossa homenagem a ela através de imagens e de seus ícones. Cultuamos a nossa Mãe fazendo nossas peregrinações, quer sozinhos ou em grupo, aos santuários e a outros lugares marianos de piedade.

Amor e Gratidão

Outra atitude nossa é demonstrar nosso amor e gratidão a Nossa Senhora. Temos carinho por ela e lhe agradecemos sempre por sua contribuição singular na redenção da humanidade. Como Mãe, ofereceu Jesus Cristo aos homens. Sua caridade imensa é continuada por sua maternidade espiritual. Ela a Mãe dos seres humanos na ordem da graça.

Em nossa devoção, exprimimos nossa gratidão e amor pela Mãe do Salvador de maneira interior e exterior. Interiormente, amamos Maria com nossa inteligência, formulando boas reflexões e aceitando as verdades de fé a respeito dela, propostas pela Igreja. Nossas idéias e decisões, bem orientadas, manifestam seu desvelo por ela. Também comunicamos este afeto exteriormente, por suas palavras e obras.

Invocação

A invocação de Nossa Senhora também caracteriza nossa a atitude devocional. Invocar significa solicitar a proteção da Mãe de Deus porque, em momentos de apuros, nós, seus filhos, recorremos a ela em busca de ajuda e orientação.

Durante nossa história, nós nos dirigimos à Maria e suplicamos sua intercessão e auxílio, confiando nela e em sua bondade maternal. O fundamento da invocação é a comunhão dos santos. O que significa isso? “Todo aquele que crê vive em Cristo como criatura nova já nesta terra. Quem está unido a Cristo está, outrossim, em comunhão, por meio dele e nele, com todos os remidos de todos os lugares e de todos os tempos. A comunhão dos santos é a comunhão pela qual vivemos ligados a todos os cristãos vivos no mundo e àqueles que já morreram e que agora vivem conosco em Cristo Ressuscitado, embora não mais na terra. Esses, também em Cristo, estão ligados a nós e intercedem por nós. Por essa razão, o povo cristão, desde o início, cultivou a devoção aos santos e sempre consagrou uma especial devoção à Virgem Maria” (Diogo Luiz Fuitem, franciscano conventual e escritor católico). Por isso, nós podemos invocar o patrocínio dela.

Por causa da confiança que nutrimos na dedicada obra materna de Maria junto aos homens e em benefício deles, suplicamos seu socorro, tanto nas necessidades materiais como espirituais. Nós também esperamos contar com sua intercessão na hora de nossa morte, quando dermos o último respiro para a terra e passarmos para a eternidade.

Imitação

Outrossim, expressamos nosso relacionamento para com Nossa Senhora através da imitação, traço muito caro e expressivo da espiritualidade cristã. Por ser a cristã exemplar, perfeita na vivência do Evangelho, nós imitamos a Mãe de Jesus e reproduzimos seu espírito religioso em nossa conduta concreta.

Lendo e contemplando os gestos e as palavras de Maria nos textos da Bíblia, nós a tomamos como modelo de vida cristã porque nos estimula no seguimento de Jesus Cristo. Com seus exemplos bem concretos, ela nos mostra como buscar a santidade. “Maria é o modelo perfeito a imitar e o símbolo de nossa esperança na eternidade” (Pe. John A. Hardon, escritor catequético).

São Gregório de Nissa (335-395), antigo escritor eclesiástico, já dizia com muita razão: “A verdadeira devoção consiste em imitar aquele a quem veneramos”. Se veneramos a Mãe de Deus, procuramos imitar as virtudes que ela tão bem viveu, com todos os desafios de sua época.

Devoção profunda e constante

Paulatinamente, nós aprofundamos nosso relacionamento com Nossa Senhora mediante nosso amor, nossa invocação, nossa imitação e nossa veneração para com aquela que nos orienta para Deus, princípio e fundamento do culto cristão. Nossa devoção há de ser sempre baseada na fé, excluindo todo o sentimentalismo alienante. Há de ser também gratuita e desinteressada, movida por nosso vínculo afetuoso com Maria e não pela busca de benefícios mesquinhos e egoístas.

Para ser consistente, a nossa a devoção mariana há de ser constante, terna e expressiva, ajudando-nos a viver, cada vez mais e melhor, nosso seguimento de Jesus.

Pe. Eugênio Antônio Bisinoto CSsR – Redentorista da Província de São Paulo, formado em filosofia e teologia. Atuou como formador, trabalhou no Santuário Nacional, onde foi diretor da Academia Marial.

 

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