– O que é o Ciclo do Natal?
É o período que parte do 1º domingo do Advento e termina com a Festa do Batismo do Senhor. Chama-se Ciclo do Natal porque o Natal é a celebração maios importante.

– O que é o Advento? Por que não começa sempre no mesmo dia?
A palavra “Advento” vem do latim (Adventus) e significa chegada, vinda. É o tempo de preparação próxima para a solenidade do nascimento do Salvador. Alguns fatores contribuem para que o Ano Litúrgico não comece sempre no mesmo dia:
1º – O fato de o Natal ser sempre em 25 de dezembro, podendo cair em qualquer dia da semana;
2º – O Advento tem sempre 4 domingos. As três primeiras semanas são cheias, mas a última é quase sempre incompleta. Por isso, a cada ano, o Advento tem dias a mais ou a a menos em relação ao ano anterior.

– Quando se começou a celebrar o Advento?
Não é possível determinar com exatidão quando e onde teve início o costume de celebrar o Advento. Sabe-se que em várias regiões, entre os séculos IV e VII, já se celebrava o Advento como preparação ao Natal. Em certas regiões, como na Espanha e na antiga França, desde o início esse tempo era marcado pela prática do jejum e da abstinência de carne. Em Roma, pelo fim do século VII, o Advento começa a ser identificado com a preparação para a segunda vinda de Cristo. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas.

– Qual a cor litúrgica do Advento e o que signifca?
As cores são importantes na Liturgia. Cada cor litúrgica tem seu significado. Entrando na igreja no primeiro domingo do Advento, você vai notar a presença da cor roxa. Ela é um convite e apelo a preparar o caminho do Senhor. O roxo pede mudanças profundas para a vinda do Senhor.
No terceiro domingo do Advento (também chamado “Gaudete”) usa-se a cor rósea, e seu significado é alegria. A base bíblica está em Fil 4,4-5 quando nos diz “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: Alegrai-vos! O Senhor está perto.”

– Qual o sentido da coroa do Advento?
Ela teve origem na Alemanha, entre as famílias protestantes. Porém, a coroa não nasceu de tradições cristãs. Os protestantes a adaptaram de costumes pagãos. A coroa nasceu nas casas, em família, quando ainda não havia luz elétrica. Nas igrejas, ela tem basicamente quatro velas enfeitadas. Luz das velas, ramos verdes, coroa em forma de círculo sugerem aprofundamentos.

– Quais são as grandes personagens do Advento?

O profeta Isaías
É o profeta que mais fala do Messias descendente de Davi, suas qualidades, os resultados de sua chegada. Os textos desse profeta nos introduzem no clima de expectativa pela vinda do Messias.

João Batista
É chamado de Precursor, ou seja, aquele que vai à frente do Messias para lhe preparar o caminho.

São José
Esposo de Maria, ele era descendente de Davi, o rei justo. Adotando Jesus como filho, José abre caminho para que Jesus seja considerado legítimo descendente da casa real.

Virgem Maria

Foi a mais fiel colaboradora de Deus no seu projeto de salvação. Ela é a personagem-modelo para quantos desejem preparar-se adequadamente para as festas natalinas. Dentro do Advento há duas datas comemorativas de Maria: 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, e 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina.

– Por que não se canta o Glória no Advento?

O Glória é uma doxologia, ou seja, um hino de louvor, uma louvação a Deus, por Jesus Cristo, no Espírito Santo. O clima de expectativa vigilante, de espera ativa e de esperança operosa transborda de alegria na noite de Natal, no canto do Glória, quando misturamos nossa voz à voz dos anjos e de todo o universo no mesmo canto.

– Espiritualidade do Advento

Na sua riqueza teológica, o Advento considera todo o mistério da vinda do Senhor na história até o seu desfecho total. Esses eventos estão interligados mutuamente por diversos mistérios.
O Advento faz memória da dimensão histórica da salvação: celebra o Deus que age na história, Deus da aliança que age nos acontecimentos para salvar. O Advento é o tempo, torna-se sacramento do agir de Deus. Advento é o tempo litúrgico que recorda a história como lugar de atuação de salvação de Deus.
Nele também se evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão no qual Deus está sempre presente para salvar. Ele ultrapassa a visão individualista e estática dos novíssimos para uma visão escatológica dinâmica na qual a história é o lugar do agir de Deus, lugar das promessas, direcionando para o “dia do Senhor”. Fomos reservados para a salvação, mas esta herança se revelará somente nos fins dos tempos.
Este tempo também recorda uma verdade essencial: a conotação missionária. A Igreja atualiza a missão de Cristo ajudando os homens a perceber o Reino e a interiozá-lo no seu coração. De modo que nele [Advento] se aprofunda o significado autêntico da missão.
Por fim, o Advento apresenta o Deus da libertação que entra nos corações dos homens, o protetor da causa dos pobres e oprimidos. A missão, à luz do advento, suscita esperança dos fracos e humildes e não apoia os poderosos deste mundo. Ele nos faz compreender o mistério salvífico e ajuda-nos a empenhar-nos no anúncio e testemunho do Reino de Deus. Na sua dimensão espiritual, a liturgia do Advento é um convite ao cristão a viver a expectativa vigilante e alegre do Senhor que vem, a esperança, a conversão e a pobreza. Portanto, é uma espiritualidade que remete para aquilo que é essencial na vivência cristã. (…)
Por fim, a espiritualidade do Advento se caracteriza pela espiritualidade do pobre que confia em Deus e se apoia n’Ele. Espiritualidade daqueles que vivem a pobreza do coração, exigindo uma pobreza efetiva e a renúncia em colocar a confiança nos bens terrenos.

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