Na recentemente publicada exortação apostólica Amoris Laetitia, o Papa Francisco apresenta alguns critérios para entender a realidade da ideologia de gênero, nascida com a denominação gender nos Estados Unidos, a qual “nega a diferença e a reciprocidade natural de homem e mulher”.

A ideologia de gênero, explica o Santo Padre no numeral 56 do documento, “prevê uma sociedade sem diferenças de sexo, e esvazia a base antropológica da família”. Além disso, procura uma identidade humana que pode determinar-se de forma individual e ser trocada no tempo.

“Esta ideologia leva a projetos educativos e diretrizes legislativas que promovem uma identidade pessoal e uma intimidade afetiva radicalmente desvinculadas da diversidade biológica entre homem e mulher”, alerta o Pontífice.

A exortação também expõe quão inquietante resultam este tipo de ideologias que “procurarem impor-se como pensamento único que determina até mesmo a educação das crianças” e que ignoram que o sexo biológico e o papel sociocultural do sexo (gênero), embora possam distinguir-se, não podem ser separados.

Por outro lado, lamentou que “a vida humana bem como a paternidade e a maternidade tornaram-se realidades componíveis e decomponíveis, sujeitas de modo prevalecente aos desejos dos indivíduos ou dos casais”.

Esta situação é derivada da “revolução biotecnológica no campo da procriação humana”, a qual introduziu a possibilidade de manipular a geração de uma nova vida separando-a da relação sexual entre homem e mulher.

O Pontífice ressalta que não se devem aceitar ideologias que pretendem partir em dois os aspectos inseparáveis da realidade, para não cair “no pecado de pretender substituir-nos ao Criador”.

“Somos criaturas, não somos onipotentes. A criação precede-nos e deve ser recebida como um dom. Ao mesmo tempo somos chamados a guardar a nossa humanidade, e isto significa, antes de tudo, aceitá-la e respeitá-la como ela foi criada”, sublinhou.

Em abril do 2015, na Audiência Geral na Praça de São Pedro, o Santo Padre destacou que “a diferença sexual está presente em muitas formas de vida, na longa escala dos seres vivos. Mas unicamente no homem e na mulher ela tem em si a imagem e a semelhança de Deus: o texto bíblico repete-o três vezes, em dois versículos”.

“Isto diz-nos que não apenas o homem em si mesmo é imagem de Deus, não só a mulher em si mesma é imagem de Deus, mas também o homem e a mulher, como casal, são imagem de Deus”, indicou o Papa na ocasião.

ACI Digital

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