A grande espera terminou, o Papa Francisco está em terras cingalesas recebido com festa por um povo que desde os primeiros momentos de sua chegada nesta manhã demonstrou toda a sua alegria pela visita como dizem “de um ilustre hóspede”. As bandeiras, os cantos, os sorrisos, o corre-corre pelas ruas dão o tom do que está ocorrendo aqui em Colombo. Desde a sua chegada, com a saudação musical das crianças, e com o grande abraço de uma multidão que desde o aeroporto até o centro da cidade não o abandonaram nem sequer por um metro de asfalto, o povo cingalês fez com que o Papa se sentisse em casa, como um velho amigo que vinha reencontrar velhos companheiros de viagem. Sim, porque o Papa Francisco veio confirmar seus irmãos na fé, caminhar com eles e rezar com eles. Mas no abraço ideal a Francisco nestas horas não está somente no carinho e no afeto dos católicos e cristãos mas na expressão de todo um povo, budista, hinduísta, muçulmano, que olha para este peregrino da paz, o “líder que beija os pés”, como descreveu um dos jornais a figura de Francisco, como uma pessoa de casa. A sua humildade contagiou as pessoas que mesmo de religiões diferentes quiseram e querem ver esse homem de branco que veio do fim do mundo. Certamente para os cingaleses a expressão fim do mundo, em referência à Argentina tem uma dimensão precisa: muito longe de casa.
A primeira variação no programa do Santo Padre nesta viagem foi o cancelamento do encontro com os 20 bispos do Sri Lanka que estava previsto para se realizar na sede da Arquidiocese de Colombo. O tempo utilizado pelo Papa para chegar até o centro de da cidade, partindo do aeroporto, foi mais longo do que o previsto. Assim achou-se por bem cancelar o encontro, pois Francisco já se encontrará com os bispos cingaleses no último mês de maio, no Vaticano, durante a visita “ad Limina”.
Chegada
O avião papal tocou terra às 8h51, hora local, depois de 9h40 de voo, e às 9h05 Francisco saiu do avião dando início à sua 7ª Viagem Apostólica internacional. Já nos primeiros momentos em terras cingalesas Francisco recebeu por parte de duas crianças 72 folhas de “Beetle”, uma espécie de folha que se mastiga com o tabaco (uma tradição de boas-vindas) e o tradicional “garland”, um colar de flores com as cores branca e amarela. Depois o aperto de mão e as boas-vindas do Presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, que tomou posse do governo dias atrás.
Cantos e danças tradicionais acolheram o Papa, junto com um elefante que deu também as boas-vindas ao Papa: uma tradição do Sri Lanka de dar as boas-vindas e desejar boa sorte. Na sequência as honras militares, a execução dos hinos do Vaticano e do Sri Lanka e a salva de 21 tiros de canhões. Um coral de crianças da periferia de Colombo cantou para Francisco dando as boas-vindas em inglês, italiano, cingalês e tâmil. No canto pediram a bênção do Santo Padre e a paz para o país.
As primeiras palavras do Presidente Sirisena foram de agradecimento pela visita do Papa Francisco, afirmando que era o seu primeiro discurso como presidente.
Primeiro discurso
Já o Santo Padre no seu discurso de chegada falou do caráter pastoral, da visita para encorajar os católicos do Sri Lanka e rezar com eles. O momento central será a canonização nesta quarta-feira do Beato José Vaz. Mas a sua presença também é a expressão do amor e da preocupação da Igreja por todo o povo. Recordou os anos da guerra civil, a necessidade de curar as feridas e a consolidação da paz. E concluiu pedindo que os dias da sua visita sejam dias de amizade, diálogo e de solidariedade.
O Papa Francisco traz na sua bagagem uma mensagem de reconciliação aos cingaleses. Uma viagem que representa um sinal consistente da sua atenção ao continente asiático.

Nós ouvimos o Padre Antonio Spadaro, Diretor da Revista Civiltà Cattolica, que nos fez um primeiro comentário sobre a chegada do Papa.
“A acolhida absolutamente muito festiva, uma momento de grande alegria para este país, uma visita muito esperada. Cheguei dois dias atrás e pude conversar com muitas pessoas de fés diferentes, e esta visita do Papa despertou uma grande expectativa, gerou um grande interesse. O Papa não está cansado, pareceu um pouco cansado durante as saudações oficiais, mas isso estamos habituados a ver, a compreender. O Papa muda nas relações interpessoais e pudemos ver isso na sua passagem pelas ruas de Colombo, foi acolhido com muito afeto, com muita festa pela população. Em seguida pareceu ganhar novamente as forças.
Quais as expectativas para esta viagem?
“As expectativas para esta viagem são muitas. O Papa já disse com clareza qual é o objetivo dessa viagem, certamente confirmar na fé os católicos, mas, sobretudo, confirmar o desejo dos católicos de serem pontes nesta sociedade, pontes de reconciliação. O cristianismo é interessante neste país, principalmente porque são cristãos seja os cingaleses seja os tâmeis, portanto, entre os cristãos se encontram as duas etnias, que muito frequentemente estiveram em conflito entre elas; a cingalês é essencialmente budista enquanto a tâmil é hinduísta. Fenômenos de violência foram muito fortes, também uma intensificação do nacionalismo por parte dos cingaleses. Assim a Igreja é uma ponte natural. O Papa quer confirmar a Igreja como ponte natural e elemento de reconciliação dentro desta sociedade”.
No seu discurso na chegada nesta manhã Francisco disse esperar que o Sri Lanka conquiste a reconciliação em temas étnicos e religiosos. “A incapacidade de reconciliar as diversidades, tanto as antigas quanto as novas, criam tensões étnicas e religiosas, acompanhadas frequentemente de explosões de violência. Por muito anos, o Sri Lanka viveu horríveis confrontos civis. Agora, está tentando consolidar a paz e curar as feridas.
Milhares as pessoas pelas ruas de Colombo abraçaram idealmente nesta manhã Francisco. Entre eles muitos budistas, (acompanhados por elefantes), hinduístas e muçulmanos.
Ainda na tarde desta terça-feira Francisco foi até a residência do Presidente Sirisena para uma visita de cortesia. Em seguida o esperado encontro inter-religioso no Centro de Congressos Bandaranaike. Presentes vários expoentes religiosos do país com cerca mil representantes de suas comunidades, budistas, hinduístas, muçulmanas e algumas confissões cristãs.
O Papa retornou depois à sede da Nunciatura Apostólica onde reside nestes dias de viagem ao Sri Lanka. Amanhã a missa de canonização do Beato José Vaz e a visita ao Santuário de Madhu.
Rádio Vaticano

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